Eu te amo: nem palavrinha, nem palavrão.

Na era do amor líquido (fã confessa de Baumann), dizer “eu te amo” é quase um pecado. Um verbete arcaico de um tipo de ligação que não combina mais com o tempo fugaz em que vivemos. Diante do fim do amor, homens lidam de dois jeitos com essa declaração: uns dizem o tempo todo; outros não dizem nunca. E você acha que é normal. Porquê ou é isso, ou é chorar vendo comédia romântica no Netflix por mais um sábado.

Homens que dificilmente dizem “eu te amo” são os mais comuns.

São aqueles que demoram uma eternidade para dar qualquer passo dentro de um relacionamento. Tudo é um tormento. E você espera. Não espere: esse homem vai se apaixonar loucamente pela próxima que passar na rua. Lembro de quando o Alexandre Pires namorava a loira do Tchan e enrolou a moça por anos, sempre com aquele papo de “muita calma nessa hora”. Casou com a próxima num zás-tras.

Eles dizem ter traumas quase incuráveis, que sofreram horrores nas mãos de mulheres inescrupulosas e, agora, são mais cautelosos. Querem fazer tudo com MUITA calma.

Ora, você está aí com o coração em frangalhos de tantos babacas que amou e já ta imaginando como seria apresenta-lo para sua avó. Uma vez crédulo e apaixonado, o idiota coração será sempre assim.Se suas feridas até te botam um medinho, mas não te impedem de prosseguir, as dele também não deveriam.

O que bloqueia essa evolução natural do compromisso não é medo, é a certeza de que você não é bem o que ele queria. Não é ruim, porém, também não é aquilo tudo. Então, ele vai se estendendo nessa passada até surgir coisa melhor.

Você é assim ó: mais ou menos, viu?

Esse tipo de homem gosta de mulheres distantes e frias e só irá se apaixonar por elas. Você é o booty call, o passatempo, o consolo. Você pode ficar uma vida inteira com ele, mas, nunca será dona do coração do infeliz. Porque coração ou você tem ou não. Não existe luta. Se tiver que lutar, nunca será realmente seu.

No entanto, bem mais raro e peculiar é o homem que fala eu te amo loucamente.

Só encontrei três em toda minha vida. São mais perigosos porque eles usam o romantismo como arma de conquista. São essencialmente losers, homens que se sentem diminuídos socialmente (seja por falta de grana, um pau pequeno, altura de menos ou quilos a mais) e tiveram muito azar com as mulheres na adolescência. Provavelmente. perderam a virgindade só depois da maioridade, quando, finalmente descobriram a arma secreta da conquista: mulheres amam o amor e farão de tudo por ele.

Como não acreditar?

Você está lá, sentada lindamente sobre o seu cinismo depois de dezenas de relacionamentos fracassados e ele surge. E, por mais que aquela sua voz interna te diga que é mentira, você irá acreditar. Você não tem escolha. Você sabe que merece ser amada. Por algum tempo, muito ou pouco, ele irá colocar você em um pedestal. O “eu te amo” surge em no máximo 20 dias, por vezes, antes mesmo do primeiro beijo ou da primeira transa. É o apito de chamar patos, no caso, patas.

Super romântico? DESCONFIE.

Você com certeza já amou. Lembra de como era? De como você olhava pra ele, se preocupava, planejava, sonhava e sorria sem motivo. Se você já vivenciou um amor, saberá ver que esse, meu bem, não é de verdade. Teste: duvide do amor dele.

Ao invés de te abraçar e falar “sua boba, claro que eu te amo” ele ficará extremamente ofendido. Toda vez que um homem fica extremamente ofendido quando confrontado com algo simples, está encobrindo algo. Tive um namorado que ficava inflamado toda vez que falava de gays. Ele era um, hoje bem assumido inclusive.

O homem que diz eu te amo rápido demais vai deixar você sem aviso prévio.

Você já foi conquistada, não serve pra nada. Ele precisa provar continuamente para o pequeno adolescente perebento dentro dele que ele é capaz de conquistar uma nova pretendente, ainda mais poderosa e inalcançável. Só assim ele se sentirá vingado por toda a solidão que sentiu.

eu te amo em pizza!

Talvez ele até possa não dizer, mas, irá demonstrar.

O amor, assim como a demonstração dele através de palavras, sempre deve ser algo construído a dois, um caminho natural e suave em direção ao que acreditamos ser um “final feliz”. Que nunca é, mas, isso será um outro post.

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