O Pior da Moda plus size no CriaturaGG

Sim,faz 20 anos que estamos por aqui. Tá certo que eu tinha planos de fazer uma festinha (o que ainda podemos fazer se vocês se animarem depois da quarentena), mas acabei só fazendo um post. E com sério delay. Mas, vai valer a pena, juro. Tanto pra quem já fez a curva dos 40 anos como eu, tanto para quem ainda estava só nascendo naquela época.Vamos falar sobre o pior da moda plus size que passou por aqui nestas duas décadas.

Claro que teve coisa boa, mas essa vamos mandar em outro post. Aqui é pra sentir aquela risadinha de nervoso de vergonha alheia. E aposto que você usou com muito orgulho alguma peça aí da lista =)

 

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Vamos a nossa lista sobre o pior da moda plus size:

1.Bolero

 

2008 e 2006, reespectivamente.

2008 e 2006, reespectivamente.

Eu apelidava de casaco de mico amestrado. Quando vi pela primeira vez, apresentado por uma estilista super antenada ela me disse “as gordas americanas todas estão usando”. Isso vendeu horrores, até eu usei essa desgraça. Contrariada, mas, o desespero de esconder o braço era mais forte.

2006: a Cláudia Raia usava um desse sempre na novela das oito.

2006: a Cláudia Raia usava um desse sempre na novela das oito.

 

2. Camisolas de cetim que esgarçavam (2000).

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As magrelinhas usavam, a gente queria também, né? O problema é que essas camisolas, por mais que fossem soltinhas, não tinham modelagem legal ou costuras reforçadas. Com pouco tempo de uso, estouravam na costura. Além da brevidade do item, vale lembrar que não havia qualquer suporte para o busto. Se o modelo fosse vagabundo, era pior: ainda achatava o peito. Um desastre em matéria de estilo e também de conforto.

Fato curioso: Na foto aí de cima não parece porque a menina tinha uma comissão de frente incrível. E ela nunca foi modelo: era minha produtora, Sheila, grande profissional. Site só existiu por conta do trabalho que ela fez. E por que ela fez as fotos?
Como eu havia sido estagiária de uma editora de revistas no ano anterior, achei que ia chegar nas lojas plus size e apresentar o meu projeto, escolher as peças, no máximo fazer um contratinho e deixar um cheque calção. Isso não acontecia. Essas fotos tiveram que ser feitas com o flash da câmera pequena que eu levava na bolsa (pra fazer uma foto da loja para incluir na matéria) porque ninguém emprestava nada. Povo tinha pavor de internet, era 1999-2000.
Essa foi a solução que arranjamos no dia para fazer o primeiro guia do Bom Retiro de lojas plus. Tem foto em outra loja também. Ah, galera tudo foto de FILME, nada digital.

3. O conjunto da “Mãe do Noivo” (2003)

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Sempre que fazíamos um editorial ou desfile com moda festa era a mesma coisa. As donas das lojas vinham com esses conjuntos caríssimos dizendo que as gordas amavam. E era verdade, toda senhorinha com algum sobrepeso não ia nesse tipo de festança de vestido. Era vestir e ficar velha no ato!

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Se a gente fazia cara (comedidamente) feia elas vinham com este cintinho aí. Era moda na época e já tinham a solução: emendavam dois (era tipo um colar de por na cintura), faziam um efeito blusê e bang: piorava. Era pra “jovializar”. O resultado era que o danado do acessório nunca ficou no lugar em foto nenhuma, em ano nenhum, conforme vocês podem ver.

Fun fact sobre essas fotos: era pra ser nosso primeiro ensaio externo noturno, nas luzes da paulista. Os lugares achavam a gente com cara de bandida e mandavam a gente embora. Fotografei com uma power shoot de bolso as decorações e fiz essas montagens toscas aí.Eu achava que estava ótimo e pelo jeito não tinha amigos de verdade pra me dizer o contrário.

4. Vestido de festa tinha, mas não mostrava o braço (2003).

Todo mundo de suvaco coberto: essa era regra.

Todo mundo de suvaco coberto: essa era regra.

Braço parece um tabu mesmo ainda hoje. No ano passado fomos fazer o tão sonhado editorial de noivas e nos deparamos com isso. Quando estava planejando o meu casamento também era uma questão. Que bobagem!

5. Legging com salto (2005)

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Legging é uma tendência que vai e volta, mas, sempre causa um certo ranço na galera. A gente é do time que a peça pode sim ter uma pegada fashion se usado com um tênis modernérrimo, uma jaqueta colorida, enfim, na vibe athleisure. Mas não era o caso. Essa era a temporada da viscolycra onde tudo era feito deste tecido bem fininho. Os scarpins eram com bico fino de matar barata no canto da sala.
Quando começamos o site, era uma época onde as gordas prafrentex detestavam fuseau (um outro nome de legging genericamente falando) porque era só isso que a gente tinha pra usar quando era adolescente. Não havia calça jeans feminina acima do 48. Esse editorial era justamente para fazer as pazes com a peça.

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Viu como pode ficar pior? Isso era fashion, gente! =D

6.Franjas, por que?

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Elas estavam até nos tricôs. Na da esquerda, em 2002, tinha até umas contas de madeira. Na da direita, 2004, era um poncho.

Particularmente, já não gosto delas. Nem na época me agradavam, porém, quando você trabalho com produção não é o seu gosto pessoal, é a tendência, são “os fatos”. Então eu colocava nos editoriais. É uma monstruosidade ontem e sempre.

Franjas até onde a vista alcançava: em macramê, chiffon e no jeans (2003).

Franjas até onde a vista alcançava: em macramê, chiffon e no jeans (2002).

 

7. Jeans bordado

Fotos de 2000, 2001 e 2002. Desfoquei a cara dessa última menina porque ela me deu muito problema já.

Fotos de 2000, 2001 e 2002. Desfoquei a cara dessa última menina porque ela me deu muito problema já.

Esse aí voltou. Não é algo ruim, o problema era DEMAIS. Não tinha uma p¨rr@ de uma calça que não tinha esses bordados. O motivo: elas custavam quase um salário mínimo.

Valia de tudo: paetês gigantes (2000), na saia evangélica (2002) e aplique de couro fazendo conjunto com a blusa (2005).

Valia de tudo: paetês gigantes (2000), na saia evangélica (2002) e aplique de couro fazendo conjunto com a blusa (2005).

 

8. Cinto Esconde-Pneu

Ensaio de 2007.

Ensaio de 2008.

Pela primeira vez em muitos anos, a gente podia usar cinto: agora eles eram quase que inteiros de elástico bem grosso. As gordas piravam porque escondia o pneu. Contudo, ficava péssimo.

Curiosidade: este foi o último editorial clicado pelo site (2009).

Curiosidade: este foi o último editorial clicado pelo site (2009). Se tirasse o cinto, que era meu inclusive, eu ainda usaria o look.

9.Túnicas que foram longe demais.

Foto de 2007.

Foto de 2007.

Elas faziam parzinho com as leggings/fuseaus no século passado e tem senhorinha que usa até hoje. Elas são feitas do pior chiffon possível e geralmente tem essas estampas meio étnicas. Em algum ponto nestes 20 anos elas viraram bola da vez, com o nome de kaftan. Sim, algumas tem até um charme, mas a gente detesta porque lembra quando isso era uniforme de gorda.

E com legging branca ainda em 2005.

E com legging branca ainda em 2005.

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10. Bolsas Metalizadas (2006)

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EU AMAVA a tendência de bolsa gigante num grau que ia comprando todas as bolsas que agente pegava de produção. Num dia eu comprei 7 de uma vez. Motivo: cabia a camera, o flash, o notebook e todas as tranqueiras imagináveis. Depois que caiu a moda, eu usava para viagens de um dia, porque elas são imensas, de verdade.
Já tinha esse movimento oversized para as bolsas, quando entrou o metalizado a gente pirou. Essa cobre aí de cima eu comprei nesse dia e usei muito. Mas é ridículo, eu assumo!

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11. Conjuntão.

2001

Que dó! (2001)

Esse item eu não gostaria de por aqui na lista porque ainda me deprime. Essa menina linda aí da foto, corpo lindo, nossa primeira miss, 25 anos: dava dó vestir essas coisas nela. Talvez tivesse como ter salvado o look se tivesse parceiros bacanas de acessórios naquela época. Quando ligava pedindo parceria, o que é de praxe no ramo, ouvia sempre o mesmo “não quero minha marca ligada a nome de gorda”.

2002

Parece um papel de sonho de valsa (2002)

O conjuntão consistia em um cardigan (sem botões) ou camisa ampla, corte reto, em vários tipos de tecido. Tinha desde do ponto roma para o frio até chiffon pra festa. “Festa”. É bom lembrar que o kit incluía também uma calça reta da mesma cor com aquele super elástico na cintura. Jóinha.

12. Tie Dye mal sucedido.

2006 e 2003.

2006 e 2003.

Desde os anos 70, essa técnica de tingimento vem e volta das vitrines. Ela tem lá o seu charme. O repreensível aqui foi a padronagem escolhida. Na primeira foto, parece que a coitada tava lavando um banheiro e manchou a brusinha de cândida. Na segunda, os estilistas não ficaram contentes só com a padronagem: enfiaram renda e pespontos em cor branca: too much, darling.

13. Minivest (2007)

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Isso foi uniforme de todas nós entre 2007 e 2008. Era a solução para usar com a nova queridinha: a legging, agora já fazendo a cabeça das gordolezas. Em alguns lugares chamavam também de “cobre legging”. Era sempre em viscolycra e o céu era o limite: paetês, aplicações metalizadas, recortes, mangas bufantes, e, claro, CORES in your face, girl!

14. Blusa 2 em 1

2008 e 2006

2008 e 2006

Certeza que você teve uma. Pra quem não viveu esta época, explico: era uma camiseta que fingia ter uma camisa branca por baixo. Peguei as mais clássicas, mas tinha modelinhos bem coloridos!

15. Trabalho Duro

Tem tantos erros aqui que nem sei por onde começaria.

Tem tantos erros aqui que nem sei por onde começaria (2001).

Mais no começo do século, o dress code dos escritórios eram bem restritos: camisa, tailler e terninho. Não podia usar jeans, decote, camiseta, rasteira, tênis, legging. Alguns lugares ainda requerem este figurino na maior parte da semana. O difícil era encontrar algo pra usar acima do 50 nessa categoria. Poucas lojas faziam, e as que faziam ainda não tinham competência técnica para fazê-lo de forma correta, que compreenda o corpo gordo. Talvez porque era feitos por magros. Espero que tenha mudado!

e quando tentava moderninzar ficava pior (2000)

e quando tentava moderninzar ficava pior (2000)

Continue rindo!
Montamos aqui uma galeria de looks indefensáveis:

 

 

 

 

 

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